Vanira (Maio/2002)

(1) Vanira, como você iniciou sua carreira? Como surgiu a idéia de jogar basquete? Você e a Vânia começaram juntas no esporte? Em que cidade?

Aprendi a gostar do basquetebol na escola, mas nossa primeira equipe não-oficial foi a do Centro Esportivo da Mooca, em São Paulo, com o técnico Roberto. A idéia de fazer parte de uma equipe oficial foi da Vânia, que era mais fanática do que eu ai ,através de uma amiga de minha tia Olga, que era tia das ex-atletas Ione e Carminha que jogavam na equipe do Thomazz Mazzoni, na Vila Maria, em São Paulo.

 
Procuramos o técnico Ailton Pereira Bueno. A Vânia que foi atrás do Ailton, que no momento era assistente técnico do Barbosa na seleção Brasileira e estava em treinamento em uma cidade do litoral de São Paulo. Ela falou com o Ailton e este marcou o teste.

O engraçado de tudo isso é que eu não queria jogar basquete, mais como somos gêmeas e meus pais não deixavam a Vânia ir sozinha, fui obrigada a ir junto. Fizemos o teste e no dia seguinte começamos a treinar e imediatamente fomos filiadas a Federação Paulista.
(2) Quem foi seu primeiro técnico?

Professor Roberto, e depois o Ailton Pereira Bueno.

(3) Apesar de serem gêmeas, você e a Vânia desenvolveram estilos de jogo diferenciados, tanto que jogam em posições diferentes. Como se deu essa opção sua pela ala e da Vânia pelo pivô?

A Vânia se identificou com a posição de pivô, por ser um pouco mais alta, mais agressiva que eu, e também porque assim definiu nosso técnico. Eu era mais tranqüila, mais quieta e gostei de ser lateral no primeiro treino. Depois disso me tornei mais técnica e aá segui minha carreira como ala e a Vânia como pivô. A marca registrada da Vânia sempre foi sua raça e determinação.
(4) Como era o panorama do basquete feminino quando você iniciou: nos clubes, na seleção? Quais eram os ídolos da sua geração?

 

Na minha época, o basquete era movido pela paixão, amor e força de vontade. Nenhuma atleta era remunerada. Ganhar um par de tênis ou uma roupa de treino já era o máximo. Quando ganhávamos um campeonato, a comemoração era comer pastel ou pizza. Assim foi na seleção também, não ganhávamos nada. E o prazer de fazer parte da Seleção Brasileira era um prazer, um sonho realizado. Quando comecei a jogar falava-se muito de Paula, Hortência, Cristina Punko, Ione, Vânia Teixeira, Selma ou seja, jogadoras que faziam parte da Seleção Brasileira e antes disso a Norminha que era o nome mais conhecido por nós. Agora, se eu for falar da minha geração quando jogava, com certeza eu era e continuo sendo fã da Hortência.
(5) Por quais cidades você passou? E quais foram seus principais (e muitos) títulos?

Joguei em Catanduva, Presidente Prudente, Bauru, Sorocaba, Piracicaba, São José do Rio Preto, São Caetano do Sul, Santa Bárbara¡, Avaré, Campinas e Rio de Janeiro.

Meus principais títulos nesta caminhada toda (sem definir por qual equipe) foram: o de 8 vezes Campeã Paulista, Campeã Brasileira, Penta-Campeã dos Jogos Abertos, várias vezes Campeã dos Jogos Regionais, Campeã Sul-Americana de Clubes, Campeã Mundial de Clubes, Vice Copa Wiliam Jones, entre outros.

(6) Quando você chegou à seleção brasileira? Por quanto tempo você ficou na seleção? Qual o principal título ou competição que você jogou com a camisa da seleção?

Minha primeira convocação foi para a seleção brasileira juvenil, em 1980 para o Sul Americano, e depois em 1981, para o Pan Americano. Depois disso, fui convocada para a seleção brasileira adulta em 1987. Fiz parte da Seleção até 1990. Fui campeã Sul Americana, vice campeã do Pan Americano em Indianápolis, e Vice campeã da Copa América.
(7) Uma boa parte da sua carreira se deu em Sorocaba. Gostaria que você falasse um pouco da importância de Sorocaba na sua vida e das principais conquistas com o clube.

 

Sorocaba foi onde me projetei realmente para o basquetebol. Adquiri personalidade própria, maturidade e conseqüentemente minha primeira convocação para a seleção brasileira adulta. Fui titular da equipe por 7 anos seguidos e meu principal titulo, além do campeonato Paulista e brasileiro, foi, sem dúvida, o de Campeã Mundial de Clubes – primeira edição.

 

Sorocaba hoje é a cidade que escolhi para viver pela importância que ela tem em minha vida, pelos amigos, conquistas e por ser inesquecível tudo que vivi nestes 20 anos de Sorocaba. Tenho uma admiração especial pelo Sr. Benedito Pagliato e pelo Sr. Caracante. Sou a única atleta que desde que veio para Sorocaba nunca mais foi embora. Trouxe toda minha família, e ainda me emociono ao lembrar desta época tão maravilhosa na minha carreira.
(8) De um tempo pra cá, você tem sido uma jogadora bastante requisitada, principalmente por equipes mais jovens. Assim foi em São Caetano, Santa Bárbara, Avaré, Americana, Botafogo, Campinas, etc. Por que você acha que isso vem acontecendo? Fale um pouco da sua passagem por esses clubes.

Fico feliz por ainda ser lembrada por algumas equipes, mas já encerrei carreira, apesar de me manter sempre bem fisicamente já que sou fanática por preparação física.

Minha contribuição para o basquetebol já foi dada, participo apenas de campeonatos que não me comprometam e que eu não tenha a necessidade de passar por situações constrangedoras, já que no Brasil as pessoas tem a memória fraca e se esquecem rapidamente das atletas que marcaram época. Os mesmos que um dia torceram por nós, passam a ofender e nos chamar de velhas.

Penso que na minha época, as melhores jogadoras surgiram de uma vez. Existiam muitas jogadoras em condições iguais e de talento. Hoje isso não acontece, são poucas as que desequilibram e que podem ser chamadas de craques, por isso algumas equipes que participam de campeonatos curtos, chama, jogadoras mais experientes e que ainda brincam de jogar basquetebol as vezes porque o que passa a valer é a experiência.

Pelos clubes que passei, Santa Barbara e Avaré, fui muito bem tecnicamente, mantive uma média de pontos por partida, sendo inclusive cestinha da equipe.

No Botafogo fui dirigida pelo Ferreto e sempre me senti a vontade de jogar com ele porque além de ser um grande técnico, transmite muita confianç,a deixando a atleta a vontade para exercer dentro da quadra aquilo que ela tem de melhor. Sempre disse que o Ferreto tira água de pedra, para ser conhecida basta ser atleta dele.

Em Campinas fui uma jogadora comum porque a cobrançaa era muito grande e o lado psicológico da atleta era colocado em segundo plano. O dinheiro era mais importante, por isso a cobrança era maior.

Em Americana, me senti inútil. Vinha de campeonatos bons e com um ótimo nivel técnico, mas o Paulinho desejou mudar tudo isso e não me deu liberdade para fazer o que eu sabia que era apenas jogar. Não tem como uma veterana mudar sua forma de jogar. Aprender, aprendemos enquanto estivermos em atividade. Aprimorar sim, seria o ideal por isso, não me senti a vontade.

Agora São Caetano, nem no meu curriculum eu coloco. São Caetano serviu para eu recuperar o joelho com a Gegê que é uma das melhores fisioterapeutas que eu conheço. De resto, fui desrespeitada pela maioria das minhas companheiras de equipe, pela diretora da equipe a Soninha e só não fui pelo meu técnico porque abandonei a equipe. Não desejei nada de São Caetano a não ser recuperar o joelho e voltar a jogar, já que foi a única equipe a abrir as portas. Mas me disseram que eu queria me promover, que eu não era humilde e que eu só pensava em mim. Com certeza eram pessoas que não me conheciam e é a típica equipe que quem manda são aquelas atletas que jogam lá há muito tempo e que não aceitam que ninguém de fora faça sucesso. Mas valeu como experiência e para saber quem merece ou não o meu respeito, para depois aprender a ser respeitado.

(9) Queria que você falasse um pouco da sua passagem por Americana. Gostaria de saber como foi seu contato com o técnico Paulo Bassul no primeiro ano do retorno da equipe à divisão A-1 e, que hoje, é uma das melhores do Brasil?

Fico feliz pelo sucesso da equipe de Americana mesmo porque temos que apreciar o que existe de melhor, além de fazerem parte da equipe jogadoras que gosto muito, e minha amiga Vanessa que já se submeteu a uma cirurgia de ligamentos há algum tempo e deu a volta por cima, merecendo meu respeito.

Quanto a jogar com o Paulinho, volto a dizer que não me senti bem por não poder fazer apenas o que sei, que é jogar basquete. Peço até desculpas por não ter colaborado o suficiente e por não corresponder às expectativas, mas respeito o trabalho dele e da Mila por serem hoje um dos melhores técnicos em atividade.

Os dois são pessoas esforçadas e que estão adquirindo uma maturidade maior trabalhando com a categoria adulto, já que, antes disso, a especialidade do Paulinho e da Mila era com categorias de base.

Desejo sorte aos dois e torço pelo sucesso sempre da equipe de Americana.
(10) Você tem se dedicado de maneira intermitente às quadras por causa de um outro projeto – a sua escolinha com a Vânia em Sorocaba. Gostaria que você contasse com detalhes o trabalho que é desenvolvido lá, o número de alunos, a estrutura que vocês dispõem, as dificuldades que você enfrenta e os objetivos da escola.

 
O centro de Formação de Atletas de Basquetebol Vânia&Vanira é sem duvida um sonho realizado. Trabalhamos com a faixa etária de 06 a 13 anos de idade, onde desenvolvemos além do aprendizado do basquetebol, trabalhos de agilidade, coordenação motora, velocidade, equilíbrio, força e resistência, percepções sensorial, temporal e espacial, atividades em grupo, atividades recreativas e pró-desportiva (basquetebol).

Todo trabalho é orientado pelos profissionais da área de educação física, nutricionismo, pediatria e psicologia. São profissionais que nos orientam e dão palestras para os pais e alunos, sem serem remunerados.

Orientamos os alunos na importância do estudo sendo obrigado a apresentação semestral do boletim de notas. Os alunos que estiverem mal nos estudos, são afastados de comum acordo com os pais e escola dos treinamentos de basquetebol, retomando suas atividades após a recuperação de suas notas.

Mantemos um trabalho social onde uma quantidade estipulada de alunos são denominados Bolsistas ou seja, crianças carentes. Estes alunos recebem material de treinamento, tênis, passe de ônibus, aulas de inglês e espanhol, além do tratamento dentário e trabalho físico, através de uma academia especializada.

Não temos patrocinador. A ajuda oferecida vem de amigos, pais e pessoas que acompanharam nossa carreira e acreditam em nosso trabalho. A escola de basquetebol é paga e é desta forma que pagamos o aluguel do local de treinamento e ajudamos os bolsistas.

Possuímos um convênio (sem ajuda financeira) com a Escola Mundo Novo/Colegio Absoluto, Academia Azzurra, Escola de Inglês Skill, Clube dos Comerciarios (SESC) e Prefeitura Municipal de Votorantim. São estas empresas que apoiam nosso trabalho.
Como toda boa equipe que se preze, nos não temos patrocinadores por isso, a intenção do C.F.A. Vânia&Vanira se não houver a possibilidade na formação de equipes, indicaremos os atletas que mais se destacam para fazer testes em equipes já melhor estruturadas.

 
As aulas são ministradas por mim no feminino e pela Vânia no masculino, além de uma professora de Educação Fisica, a Tatiana Filomena, que trabalha na orientação de todas as faixas etárias durante os treinamentos.

Nossa equipe de trabalho tem como objetivo maior orientar nossos alunos como cidadãos para um futuro próximo e dentro disso, a importância da prática esportiva seja na modalidade que for.

É um trabalho realizado com amor, pois o prazer de ver um destes atletas atuando em uma equipe de ponta ou até mesmo na Seleção Brasileira seria sem dúvida motivo de orgulho para nós, coroando com êxito este trabalho.

(11) Quais os resultados que você e a Vânia já colheram na escolinha?

Estamos disputando a Liga Regional de Iracemápolis no masculino e participamos da mesma Liga no ano de 2001 no feminino, todos na categoria mirim e formados pela escolinha.

Uma atleta no feminino e um no masculino já receberam convite para atuarem por equipes de São Paulo e um atleta que fez parte da equipe masculino foi para os Estados Unidos estudar e jogar.

Outras portas se abriram através deste trabalho também no aprendizado do basquetebol.

Vale ressaltar que não fazemos peneirão (escolher os melhores). Todos que nos procuram e querem aprender a jogar basquetebol são orientados e treinados para o aprendizado do basquetebol.
(12) Gostaria que você falasse um pouco da sua participação na seleção de veteranas, dos torneios disputados, das suas colegas de quadra.

 
É um prazer poder atuar junto de jogadoras que marcaram época no basquetebol brasileiro, além do fato de rever ex-companheiras de equipe. Defendemos a cidade do Rio de Janeiro, a ABVRR e eu nunca vi um povo tão fanático pelo basquetebol como o Rio de Janeiro Veteranos.

O Presidente é o Paulista Torteli, foi ele quem me trouxe para Sorocaba e acreditou no meu trabalho por isso, a satisfação de defender a equipe do Paulista. No ultimo campeonato Brasileiro de Veteranos em Curitiba 2001, fomos campeãs. Joguei ao lado da Ceça, Joyce, Ana Regina, Edna, Bia, Catia, Denise e Denice, todas com passagem pela seleção brasileira.

Este ano vamos para Fortaleza em setembro tentar o bi-campeonato. É um campeonato importante e super organizado, só tem fera do basquetebol.

(13) Como surgiu o convite em 2001 para a participação no Campeonato Carioca?

 
Nosso técnico dos veteranos é o Pulga, assistente da Maria Helena e Heleninha na equipe do Vasco Rio de Janeiro. Ele comentou com as Donas da nossa atuação.

Depois disso, liguei para a Maria Helena e ela deu a idéia de participarmos com esta equipe do campeonato carioca. No principio não achei legal, porque sabe como é o povo brasileiro: idade é sinônimo de velhice e não de experiência e com certeza iriam nos crucificar. Mas depois de falar com o Paulista, achamos que seria uma forma de nos manter-mos em atividade para o campeonato de veteranos.

Depois de tanto eu infernizar o Paulista, (risos) decidimos competir. O resultado foi maravilhoso, o terceiro lugar no campeonato defendendo a equipe da ABVRJ/Grajau.

A satisfação maior de tudo isso além de brincar de jogar basquetebol, praia e sol, foi a de ser escolhida para seleção de ouro do campeonato ou seja, uma das cinco melhores juntamente com a Marta, Érika, Micaela, Iris e eu.

Nunca na minha vida ganhei nada de melhor de nada em toda minha carreira (risos). Depois de velha, fui reconhecida. Fiquei muito feliz.

É importante frisar que não fomos remuneradas para jogar o campeonato no Rio. Fomos em troca da moradia, alimentação e da satisfação de poder mais uma vez, contribuir com o basquetebol brasileiro.
(14) Que avaliação você faz do Campeonato Carioca, e da participação da sua equipe – com a camisa do Grajaú?

 

O basquetebol não está muito bem, por isso acho importante outros Estados, investirem na manutenção de suas equipes e na divulgação deste trabalho através de campeonatos regionais e estaduais.

Foi um campeonato difícil, com a participação de seis equipes. Jogadoras da Seleção Brasileira defendem equipes do Rio de Janeiro, por isso é um campeonato sério, com grandes nomes e bem organizado pela Federação Carioca.

A equipe do Grajaú fez sua parte e com certeza marcou presença e deixou sua marca registrada com o terceiro lugar. Sinto orgulho e defendo com muita raçaa todas as camisas que visto e esta, com certeza, marcou pela oportunidade de poder jogar novamente e fazer parte da seleção de ouro do campeonato carioca.
(15) Convites do exterior também tem chegado a você. Como foi a sua participação na Liga Sul-Americana?

 
Fui indicada pelo Barbosa. O convite partiu dele, fato este que me deixou muito feliz mesmo, porque um dia tive a infeliz idéia de criticar o Barbosa quando passei pela equipe em que ele era técnico em Piracicaba, a UNIMEP.

Nem sempre somos orientadas ou agimos com a razão. Na maioria das vezes o coração fala por nós. Por isso, além de pedir desculpas ao Barbosa, agradeço por ter sido lembrada por ele, principalmente por este fato ser passado.

Jogamos apenas 4 jogos e fizemos a final contra o Vasco. Joguei pela equipe do Chile. Perdemos. mas fiz minha parte, apesar de ser muito difícil, mesmo sendo profissional, jogar contra meu país.

Fui campeã e vice-campeã ao mesmo tempo.

(16) Você está indo para o Equador disputar o campeonato local. Me fale um pouco das suas expectativas para esse torneio e da experiência que você teve lá na temporada passada: quantas equipes, o nível do torneio, outras estrangeiras, etc.

Não sei ao certo quantas equipes participam nesta temporada. No ano de 2001, participaram 5 equipes. Este ano, por ser um campeonato de 45 dias, as equipes devem ter aumentado. O nivel é medio e quem faz a diferença são as estrangeiras. Cada equipe pode ter duas. Ano passado, fiz a final contra a equipe da cidade de Gauyaquil que se chamava Uruguai. Uma das estrangeiras era uma garota, pivô nigeriana, de 1,98 m de altura, com média de 30 pontos por partida. Foi a cestinha do campeonato e fez a diferença em sua equipe.

Jogo pela equipe da Universidade Techinologica Equacional de Quito (capital). Este ano o time se reforçou melhor e tenho a certeza de fazer novamente a final do campeonato.

No ano de 2001 ganhei um prêmio como a melhor jogadora do campeonato. Meu objetivo é apenas ser campeã. Não penso em repetir a façanha e ser escolhida novamente a melhor mesmo porque, a atleta que entra em quadra preocupada em fazer pontos, dificilmente joga bem.

Nunca joguei para o público, minha recompensa era ganhar e poder colocar em prática dentro da quadra tudo que treinei durante a semana toda.

Um elogio sempre faz bem para o ego, mais não completa a realidade de uma atleta. Vou apenas jogar com a mesma raça e determinação de sempre, o que vier depois disso é lucro.

(17) Que avaliação você faz do basquete feminino no atual momento que ele enfrenta?

Hoje, o basquetebol feminino não possui grandes nomes que levem o patrocinador a investir nas equipes. O basquetebol perdeu muito a credibilidade por causa de pessoas que pensam somente em si e que nada fazem pelo basquete além de pensar no lado financeiro.

A imprensa não apóia mais e não divulga mesmo porque não são todos que possuem TV por assinatura. Isso defini a classe média-alta como público alvo, e em sua maioria o público alvo é o povão mesmo, que acompanha o esporte e sempre lotou os ginásios de esportes para prestigiar o basquetebol.

Outro fator que já descrevi na entrevista é que não possuímos grandes nomes atuando hoje no basquetebol. Não temos jogadoras do mesmo nível da geração de Paula e Hortência. A culpa não é das atletas e sim daqueles que não investem no trabalho de base na formação de atletas que seria hoje, a única solução para o basquetebol.

Jogadoras que encerraram careira poderiam se unir e tentar fazer alguma coisa pelas atletas em atividade e pelo basquetebol. Penso que as atletas de nome que encerraram carreira e que amam o basquetebol, deveriam se unir e tentar achar uma solução para o problema sem priorizar o lado financeiro. E as atletas em atividade saber, que o país não tem dinheiro e que não adianta querer muito, que este muito se transforma em pouco em um curto espaço de tempo. Melhor ter pouco, mais por muito tempo.

Não custa ajudar.
(18) O que você acha que precisa ser feito para que o basquete cresça definitivamente?

Trabalho de base e uma estrutura melhor em termos de organização de nossos dirigentes.

Porque não fazer um trabalho através da Federação Paulista de Basquetebol para que as ex-atletas que tenham vontade e dom, possam ensinar o aprendizado do basquetebol na capital e interior, fornecendo toda estrutura necessária e uma remuneração como ajuda de custo para que estas ex-atletas possam colocar tudo que aprenderam para os futuros alunos interessados neste aprendizado?

Mas tem que dar treino, não ficar dando ordem através de uma mesinha. Aprender com uma ex-atleta é muito diferente do que aprender com quem não viveu dentro do basquetebol.

De repente seria uma saída.
(19) Quais as suas expectativas para a participação da seleção no Mundial da China neste ano?

A expectativa é sempre de uma ótima participação, fazendo a final do Mundial. As jogadoras brasileiras que atuam fora do Brasil adquiriram experiência e maturidade suficientes para que junto de suas companheiras que atuam no Brasil façam apresentações do mesmo nível das grandes equipes.
O Barbosa com certeza vai orientar e dirigir esta equipe com a capacidade de chegar a disputar uma medalha.

Nós aqui, estamos na torcida como brasileiras sonhadoras e sofredoras que somos.

Boa Sorte ao Barbosa e a todas as jogadoras e comissão técnica!
(20) Após a disputa deste Campeonato no Equador, quais são seus planos: se dedicar à escolinha? Há chances de retornar com a equipe no Rio para o Carioca? E para o Nacional?
Pretendo continuar meu trabalho em Sorocaba com a escolinha, minha equipe da Medicina PUC onde também sou técnica, minha equipe de Votorantim sub-21, e posteriormente com a possibilidade de ser assistente técnica de um grande técnico. Quem sabe o Ferreto (risos)?

Gostaria de aprender antes de atuar como técnica.

Jogar não esta mais nos meus planos. Não posso mais abandonar meu trabalho que é a longo prazo para me dedicar apenas ao prazer de jogar. Já dei minha colaboração ao basquetebol. Somente a seleção de veteranos está nos meus planos.

Quanto ao campeonato carioca poderia até pensar pois se trata de um campeonato curto e fui respeitada no Rio. O Nacional nem pensar! Ficarei somente na torcida!
(21) Você pretende ser técnica?

Pretendo e vou ser, com certeza. Basta uma chance para aprender, aperfeiçoar e atuar.

 

(22) Bate-Bola:

Uma cidade: Sorocaba
Uma comida: arroz, feijão, bife à milanesa e purê de batata.

Um filme: “Cidade dos Anjos”

Uma música: “Amor de Indio”, do Beto Guedes

A bola que eu chutei e caiu: ser campeã mundial de clubes, por Sorocaba.

A bola que eu chutei e não caiu: fim da equipe Leite Moça/Sorocaba (muito triste)

A minha maior virtude em quadra: defesa e regularidade.

O meu pior defeito em quadra: arremesso de três pontos.

A melhor jogadora que eu vi jogar foi: Hortência e minha irmã, a Vânia Hernandes, pela raça e determinação, superando a altura para atuar de pivô.

O melhor momento da minha carreira foi: minha fase em Sorocaba atuando com as principais jogadoras do basquetebol, e o título de campeã mundial de clubes.

O pior momento da minha carreira foi: jogar na equipe de São Caetano do Sul e o fim da equipe de Sorocaba Leite Moça.

Uma colega: Hortência

Uma estrangeira: não lembro o nome todo, mas a Charly da época da Minercal.

Uma marcadora: Nádia, competia com ela para ver quem marcava melhor.

Um(a) técnico(a): Seria injusta em citar apenas um. Gostaria de mencionar o Antônio Carlos Vendramini, Maria Helena e Heleninha e o Ferreto.

Um time: Minercal

Um título: Campeã Mundial de Clubes.

O jogo que eu não esqueço: a primeira conquista do campeonato paulista pela equipe de Sorocaba/Minercal

O jogo que eu tento esquecer: O Jogo contra a equipe da Unimed/Araçatuba no Chile onde perdemos o campeonato Sul Americano de Clubes que determinou o fim da equipe do Leite Moça/Sorocaba, em 1992.

Um sonho: ser técnica.

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