Patrícia Perandini (Junho/2002)

(1) Paty, quando foi que você começou a jogar basquete e por quê motivo? Em que cidade?

Comecei a jogar em Brasilia. Eu tinha 13 anos e a Maria Emília, minha professora de Educação Fisica, me encaminhou para treinar com a filha dela, que é a Mila.

(2) Quem foi seu primeiro técnico?

A Mila.

(3) Quando você começou a jogar, quem eram seus ídolos? Em quem você se inspirava?

Sempre gostei do Oscar. Lá em Brasília só se falava nele.
(4) Por quais cidades você passou nas categorias menores?

Campinas e Americana.

(5) Você passou pela seleção brasileira nas categorias menores?

Sim. Peguei todas as seleções da minha idade.

(6) Seu primeiro ano no adulto, se não estou enganado, foi no Data Control Net, de Santa Bárbara d’Oeste. Queria que você falasse um pouco como você chegou ao clube, se você já conhecia o Ferreto antes, e como foi estar num clube que foi uma das boas surpresas da temporada paulista em 97.

Eu fui para Santa Bárbara, porque eu não ia ter chances de jogar em Americana, pois o time de lá era muito forte. Eu não conhecia o Ferreto, mas foi a melhor coisa que eu fiz, porque o time fez uma campanha muito boa e o Ferreto me deu grandes oportunidades de jogar.
(7) Quando o time de Santa Bárbara chegou ao fim, você foi para a Microcamp, onde disputou o Nacional de 98. Fale um pouco sobre essa rápida passagem por Campinas.

Bem, aí eu voltei à estaca zero, porque novamente o time era composto de grandes jogadoras e eu não consegui desenvolver o meu basquete. Mas foi muito válido jogar com a Paula e com a Branca.

(8) Depois da Microcamp, você foi para Ourinhos e voltou a trabalhar com o técnico Edson Ferreto. No início era um time de pequenos recursos. Você imaginava que podia ser campeã quando chegou a Ourinhos?

No começo, não. Mas a cada ano as coisas iam melhorando. e em 2000, quando o time foi campeão, tudo estava indo muito bem: os treinos ,o grupo. Depois que passamos da semi-final nossa confiança estava lá em cima. Tínhamos certeza de que íamos ser campeãs.
(9) Foi em Ourinhos que seu basquete passou a ser mais notado e, certamente, o Ferreto tem participação nisso. Gostaria que você falasse um pouco da importância dele na sua carreira, da relação dele com as jogadoras e do aprendizado.

Sou muito grata ao Ferreto, pois ele sempre acreditou no meu potencial. Ele que me deu as melhores oportunidades nos momentos em que mais precisei. E isso é algo que nunca vou esquecer.

Mas a relação dele com as jogadoras não é das melhores, pois ele é extremamente exigente em relação aos treinos e jogos, e por causa disso nem sempre ele é compreendido. Mas existe muito respeito por ele e é por isso que a relação dá certo.
(10) Em 2000, o time de Ourinhos surpreendeu a todos e conquistou o título paulista. Na sua opinião quais foram os fatores que fizeram o time superar adversários mais poderosos, como o Quaker/Campinas e o Santo André?

É aí que entra a cobrança do Ferreto. Se a gente perdia um jogo a gente escutava bronca por semanas inteiras. Como ninguém queria escutar, a gente se matava para ganhar um jogo, e nessas horas vem a superação. A garra, a perseverança, a confiança acabou superando a técnica.
(11) Qual é a sua principal lembrança em relação aos play-offs finais contra Guarulhos?

Nos jogos em Orinhos,o ginásio estava lotado. Parecia que tremia de tanta gente. Cada cesta que a gente fazia, a torcida empurrava a gente ao título. Nunca vi uma torcida tão fanática.

(12) Embalado pela conquista do título paulista, o time fez uma boa campanha no Nacional, perdendo as semifinais para o Vasco. Fale um pouco desse Nacional e da eliminação nas semi-finais.

 

É, fizemos uma boa campanha no Nacional, mas o time do Vasco daquele ano estava muito bom e não tívemos como passar por elas.

A Maria Helena e a Heleninha sabem como tirar o melhor de cada atleta, e as meninas estavam muito bem fisicamente e acredito que psicologicamente também.

(13) Depois do Nacional, você acabou transferindo-se para Guarulhos. Quais foram os fatores que pesaram nessa decisão?

Duas coisas. Primeiro porque eu queria jogar em um time que ficasse mais perto do time do Alfredo, e por último, eu levei em consideração o fator financeiro.
(14) Em 2001, as mudanças no elenco acabaram comprometendo a participação do Guaru no Paulista. Por que o time demorou a se acertar na competição?

Acho que faltou entrosamento.

(15) Mesmo agora em 2002, parece que o time ainda não se encontrou e tem feito uma campanha fraca no Paulista. O que tem dificultado o crescimento do time? Quais as principais deficiências que você enxerga no seu time?

Nosso time passou por algumas dificuldades, mas que têm sido superadas a cada dia. O regulamento do campeonato permite que a gente se recupere, mas claro que deve haver muita superação da nossa parte. Mas nem tudo esta perdido, e o que não falta em nós é vontade de reverter essa situação.
(16) Você acredita que Guaru possa se recuperar para as finais do campeonato, no segundo semestre?

Acredito muito nisso

(17) Vamos falar de seleção brasileira: você teve uma passagem mais recente na conquista do Sul-Americano. Como foi receber essa convocação e como você avalia sua participação neste torneio?

Foi como um prêmio, pois eu vinha de boas atuações nos dois últimos campeonatos. Eu acho que poderia ter ido melhor. Sou muito crítica. Sei quando apenas ajudo um pouquinho e sei quando realmente fui importante.
(18) Num ano de Mundial, como estão suas expectativas – você espera estar entre as convocadas pelo técnico Antônio Carlos Barbosa?

Eu espero que sim, mas sei que depende muito dos jogos daqui pra frente, principalmente se chegarmos na disputa entre as finalistas.

(19) Você acredita que o Brasil possa chegar até onde neste Mundial da China?

Com certeza a lutar por um título!

(20) Além da quadra, você vive o basquete em família também, já que tanto seu marido, como suas cunhadas, são jogadores de basquete. Como é viver no ‘meio’ do basquete 24 horas por dia? Como é encarar as cunhadas em quadra? Dá briga?

 

Tem um lado muito positivo, pois fica mais fácil de se ajudar. Afinal fazemos a mesma coisa, e eu e o Alfredo temos os mesmos ideais.

Já com minhas cunhadas, nós nos damos muito bem, nunca brigamos em quadra. Existe muito carinho e respeito entre nós. Quando estamos todos juntos falamos só um pouquinho de basquete…

O Alfredo é que é mais viciado, quando não está falando,está assistindo.
(21) Jogar no exterior faz parte dos seus planos?

Faz sim, e só não fui ainda porque pretendo ir junto com o Alfredo.

Infelizmente, a situação do basquete feminino aqui no Brasil não é das melhores. Do jeito que está indo, vai ter muita gente tentando ir para o exterior.
(22) Bate-Bola:

Uma cidade: Brasília

Uma quadra: a do BCN, em Osasco

Uma comida: Panqueca

 
Um filme: À espera do milagre

Uma música: “I saw a little prayer for you”
A bola que eu chutei e caiu:

Na semifinal contra Santo André. Faltavam 5 segundos para acabar o jogo e elas estavam ganhando de 3 pontos. Chutei e caiu, fomos para a prorrogação, mas acabamos perdendo esse jogo.
A bola que eu chutei e não caiu:

Ah, essa nunca vou esquecer. Foi numa final, quando eu era juvenil. Perdíamos de 3 pontos para o BCN e faltavam 3 segundos para acabar, eu tinha dois lances livres. O Paulinho falou para eu fazer o primeiro e errar o segundo para ter rebote. Fiz o primeiro e quando errei o segundo, eu mesma peguei o rebote e errei praticamente embaixo do aro.

A minha maior virtude em quadra: Determinação

O meu pior defeito em quadra: Impaciência
Uma colega: essa é amiga mesmo…minha irmã Palmira

Uma estrangeira: Jacqueline Nero, a Jack

Uma marcadora: Claudinha

Um(a) técnico(a): Ferreto

Uma revelação: Iziane

Um time: Data Control Net

Um título: o Paulista de 2000

O jogo que eu não esqueço: o último da final contra Guarulhos

O jogo que eu tento esquecer: nos Jogos Abertos, também contra Guarulhos

Um sonho: alcançar tudo que realmente almejo para mim,profissionalmente e na minha vida pessoal.

 

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