Micaela (Julho/2002)

1. Vamos lá, Micaela! Em que dia, mês, ano e cidade você nasceu?

Nasci em12 de junho de 1979, em Miracema.

2. Como surgiu seu interesse pela bola laranja? Qual fato fez você “encontrar” o basquete?

Na minha cidade não havia muitas opções de esporte, então eu comecei a jogar vôlei. Eu não gostava tanto, então apareceram o Ronaldo e o Milton em Miracema. Comecei a jogar basquete e vi que era o que eu queria fazer.

3. Logo no início da sua carreira, que atleta era sua fonte de inspiração?

Não tinha nenhuma atleta em especial. Em Miracema, não passavam jogos na televisão. Mas depois, quando vim pra Campinas me espelhava na Paula e na Hortência.

4. Em que clube você iniciou a praticar o basquete e com que idade?

Comecei quando tinha 13 anos, no time do Pégasus.

5. Quem foi seu primeiro técnico?

Foram o Ronaldo Valim Do Val e o Milton Luiz Satana Soares.

6. Gostaria que você falasse dos clubes que você passou nas categorias de base.

Joguei na Ponte Preta/Campinas nas caategorias mirim, infantil, infanto e no primeiro ano de juvenil. Depois fui para o BCN/Osasco. Foram times de ponta, onde ganhei vários títulos.

 
7. Como você chegou ao BCN-Osasco?

Quando a Microcamp acabou, eu fui chamada pra jogar com a Heleninha no meu último ano de juvenil no BCN.

Era um time que tinha uma estrutura ótima pra se jogar, com categora de base e adulto fortes.
8. Que importância teve/tem a técnica Maria Helena Cardoso na sua carreira? O que você aprendeu com ela?

Desde de cedo, eu treinava com a Heleninha que tinha um trabalho em conjunto com a Maria Helena (na época responsável só pelo adulto).

Quando comecei a trabalhar com ela foi muito bom. Desde o começo ela confiou em mim, até mesmo quando eu mesma não confiava.

Eu aprendi muito com ela, e quando foi criado o Vasco, que era um time cheio de estrelas, ela mais uma vez mostrou que acreditava em mim e me chamou pra o seu time.

Ela foi e é uma pessoa muito importante na minha vida, dentro e fora das quadras.

9. Você é uma atleta que frequentou as categorias de base da seleção brasileira desde cedo, não é? Gostaria que você falasse um pouco dos torneios que disputou e das suas principais conquistas.

Estive na seleção juvenil que disputou o Pan Americano em Cancún, onde fomos campeãs e o mundial em 97 em Natal.

Foram duas competições muito importantes, pois comecei a adquirir experiência internacional.

10. Uma das principais características do seu jogo é a sua boa impulsão, incomum no esporte. Essa sempre foi uma característica do seu jogo ?

Os fatores que eu acho que me destaco são a boa impulsão e a velocidade.

Nos últimos tempos estou priorizando o treinamento de bola de longa distância, que antes não era o meu forte.

11. Acredito que o “pulo do gato” na sua carreira tenha sido a sua transferência do BCN-Osasco para o AA Guaru, em 1999. Como surgiu essa oportunidade? Você não tinha medo de deixar um grande clube como o BCN para se aventurar num novo projeto, desacretidado por muitos à época?

Quando fui dispensada juntamente com algumas meninas do BCN, surgiu o convite do time de Guarulhos.

Foi bom pra minha carreira, pois lá eu pude me destacar e jogar sem tanta pressão. Isso fez meu jogo fluir.

Nesse mesmo ano fui convocada pela primeira vez pela seleção adulta, mesmo estando jogando a Série A-2, prova concreta do meu amadurecimento.

12. Você passou no Guaru à condição de titular e o time esteve em posição de destaque tanto no Paulista quanto no Nacional. O que você aprendeu em Guarulhos? Qual era a principal virtude daquele time?

Guarulhos me deu a experiência de ser a jogadora que decidia as jogadas. Foi a primeira vez que eu era a líder de uma equipe, que ainda contava com Sandrinha, Jane, Ana Motta e Casé.

 
13. Ao fim do campeonato, você foi contratada pelo Vasco da técnica Maria Helena. Quais os principais aspectos que pesaram nessa decisão?

O Vasco foi montado pra ser um time campeão.

Era a chance que eu tinha de mostrar que poderia contribuir mesmo estando ao lado de estrelas como Janeth, a russa Helena, Kelly e Claudinha.

Também foi a chance de eu jogar um pouco mais perto da minha família.

14. Queria que você falasse um pouco da disputa do Carioca pelo Vasco e da decisão contra o Mangueira/Paraná?

Os dois times eram muito parecidos. Naqueles jogos seria praticamente impossível saber quem iria ganhar. Mas acho que tínhamos como diferencial a Janeth, que estava numa ótima fase, e a Maria Helena, que mexia time na hora certas.

15. Mesmo enfrentando problemas no Nacional, o time se sagrou campeão. Qual o segredo dessa conquista?

Além dos fatores que eu citei acima acho que a união do time foi imprescindível.

16. Com mais problemas ainda, o time conquistou a Liga Sul-Americana e o Carioca de 2001. Fale um pouco sobre esses títulos.

Foram títulos diferentes, pois da base anterior só restaram eu e a Mina.

Experimentei de novo a condição de líder da equipe.

Deu pra segurar a peteca, fui cestinha da liga sul americana e do carioca.

17. Do time inicial do Vasco, você é praticamente a única atleta que se manteve. Janeth, Elena, Astou, Kátia, Kelly, Claudinha acabaram deixando o clube. Você, mesmo recebendo convites de outros clubes, persiste até agora. Por quê?

Eu ainda acredito muito na equipe do Vasco. Gosto muito ter a Maria Helena como técnica e amo o Rio de Janeiro.

Mas veremos o que me aguarda para a próxima temporada.

18. Recentemente, seu nome esteve incluído entre possíveis atletas para a temporada da 2002. Houve algum contato? Se sim, por que não vingou? Você pretende estar em breve na WNBA?

Tive um contato com um empresário da WNBA. Cheguei a assinar um pré-contrato, porém já tinha começado a pré temporada, o que tornou mais difícil a minha ida.

Mas eu pretendo estar lá no ano que vem.

19. Algumas ex-colegas suas vêm tendo pouquíssimo espaço na WNBA, como as pivôs Érika e Kelly. Ainda assim, você acha esse experiência valiosa?

Toda experiência internacional é válida, ainda mais se tratando do ano de 2003 quando não haverá Mundial nem Olimpíada.

20. A ida para o exterior parece ser um caminho inevitável para as nossas melhores atletas. O que você acha dessa exportação e como você se vê nesse contexto? Pretende jogar fora?

Se essa ida pro exterior é por um lado muito boa pelo fato de podermos ter experiência internacional e assim conhecemos outro tipo de jogo, por outro lado é ruim porque muda a cultura, ficamos fora de casa, e o basquete nacional fica sem suas estrelas, conseqüentemente as gerações mais novas não tem em quem se espelhar.

 
21. Há algum tempo você vem tendo oportunidades na seleção adulta, mas só recentemente você teve a chance de disputar torneios oficiais. Nesse sentido, como foram as conquistas do Sul-Americano e da Copa América, no ano passado?

Foram campeonatos que eu pude contribuir bastante, e o Brasil teve um ótimo resultado.

22. Uma irmã sua também joga basquete não é? Quem é ela, que idade tem, onde joga e em que posição? Apresente-a pra gente!

Sinto lhe dizer, mas minha irmã parou de jogar no ano passado. Essa é uma das minhas maiores frustrações, pois ela jogava muito bem e poderia estar disputando o Mundial Juvenil.

23. Você está há 1 semana treinando com o grupo de pré-convocadas para o Mundial da China, em setembro. Como tem sido esse início de preparação? Como está o clima do grupo?

O grupo está tendo uma preparação diferente. Estamos dando ênfase no treinamento físico. Cada uma que veio joga em um canto do mundo, então neste primeiro momento estamos nivelando a condição física das atletas.

24. Certamente, será dificílima a definição desse grupo que vai ao Campeonato Mundial. Como você enxerga essa concorrência e quais suas expectativas? Onde você acha que o Brasil pode chegar desta vez?

Eu confio muito no Brasil e tenho certeza que podemos trazer uma medalha.

Em relação a definição da equipe eu não tenho muito o que falar, fora as meninas que estão na WNBA, mais Alessandra, Silvinha e Adriana Santos que já estão dentro grupo, sobra mais 1 vaga, que vai muito disputada.

Será uma escolha técnica e principalmente, tática.

25. Como você analisa a derrota para a seleção sub-21 dos Estados Unidos na última semana? Quais foram as falhas da seleção? E em que as americanas são superiores a nós?

Estávamos treinando há 3 dias, o time dos Estados Unidos estava vindo de uma longa preparação para a Copa América.

É difícil você comparar realidades tão diferentes. Eu acredito muito mais no nosso grupo. Talvez esse amistoso não tenha acontecido na hora certa.

A base americana é muito forte, mas o basquete brasileiro há tempos está entre os quatro melhores do mundo. Sem dúvida, perdemos ainda muito na estrutura. Lá o esporte é a décima primeira indústria em lucratividade. Aqui as coisas ainda não funcionam dessa forma.

26) Bate-Bola, pra encerrar:
Uma cidade: Rio de Janeiro
Uma palavra: Amor
Um filme: Sexto sentido
Uma música: Como é grande o meu amor por você
Um prato: Camarão na moranga
Um(a) técnico(a): Maria Helena Cardoso
Uma marcadora: Eu (sincera, né?)
Uma quadra: quadras da China, quando disputei a “Universíade”
Um título: Liga nacional de 2000
Um ídolo: Michael Jordan
Um time: o Vasco
Uma colega: a Geisa
Uma estrangeira: a Helena (Russa)
Uma revelação: a Érika
A bola que eu chutei e caiu: Campeonato mirim e infantil, as últimas bolas foram minhas e ganhamos de 1 e 2 pontos, respectivamente.
A bola que eu chutei e não caiu: Segundo jogo da final contra Campos
Minha maior virtude dentro de quadra: Garra
Meu pior defeito dentro de quadra: Ser um pouco aérea
Minha maior virtude fora de quadra: Amiga, Alegria
Meu pior defeito fora de quadra: Ser perfeccionista
Um sonho: Disputar um mundial

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