Magic Paula (Parte I – Outubro 2002)

1. Paula, como foi que surgiu o convite da prefeita Marta Suplicy para que você dirigisse o Centro Olímpico em 2001?

O convite foi feito em dezembro de 2000 pela Secretária de Esportes Nádia Campeão.

2. Como foi seu primeiro dia de trabalho no Centro Olímpico de São Paulo? Em que condições você encontrou o Centro?

Foi como se eu tivesse entrado em uma máquina do tempo, que me fez voltar em 1977, quando treinava e concentrava neste centro com a Seleção Brasileira Juvenil. O local com uma estrutura fisica fantástica, mas completamente deteriorada. Posso dizer que este centro se encontrava na UTI. Além disso, o que considero pior, foi ter encontrado funcionários sem motivação.

3.Como foi a recepção dos funcionários do Centro?

 
Muitos com certa desconfiança e outros bastante receptivos. Talvez por não acreditar que eu fosse vestir a camisa. Mas jamais poderia simplesmente dar meu nome para o cargo, o importante era entrar de cabeça. Tem sido uma questão de ideal.

4 .Quais as mudanças que você implantou imediatamente no Centro?

 
O principal era nos preocupar com o material humano, os atletas e os profissionais que aqui estavam que não eram poucos, quase um profissional para cada atleta. A faixa era de 103 profissionais, pois o Centro além de ter os técnicos oferece muitos recursos para estes jovens que aqui estão, com médicos, fisioterapeutas, nutricionista, psicólogos, assistente social, enfermeiros e dentistas. No inécio, a Branca deu a maior força, veio me ajudar como voluntária, passou cinco meses com a gente, mas não foi possível contratá-la. Alegaram nepotismo, o que não concordo, ela tem valor e experiência dentro do esporte. Bom, começamos a ir em busca de bolas, materiais para que os jovens pudessem desenvolver a pratica esportiva. Divulgação das peneiras, para colocar o material humano dentro do Centro Olimpico. Recebemos uma média de 2500 jovens, que foram testados e qual o grau de aptidão deles. Assim iniciamos os treinamentos. A recuperação da estrutura fisica veio acontecendo aos poucos e a mudança foi visivel.

5.Nesses quase dois anos, quais foram os principais avanços da sua administração? A cara do Centro mudou?
Hoje ele respira, tem vida, as pessoas já sabem que existe o Centro Olímpico. Atendemos 1308 atletas em onze modalidades (Atletismo, Boxe, Basquete, Handebol, Vôlei, Natação,Judô, Greco, Ginástica Olímpica,Futsal e Futebol). Tivemos uma dotação própria (orçamento) este ano. Todas as categorias disputando competiçoes, sendo sete campeonatos federados. Houve uma melhora na merenda, passe para o transporte, reforma da fisioterapia, consultório dentário e departamento mádico. Convênios com o CETE (Centro de traumatologia do esporte), USP (projeto de detecçao de talentos), UNIB (oferece 10 estagiarios), Projeto Clube Cidadão (Governo do Estado) recebemos 180 bolsas-salário para atletas no valor de R$120,00. A Secretaria esta fechando uma parceria com o Ministério Cubano, para cursos aqui no Centro Olímpico com técnicos cubanos. Acabamos de receber uma verba de R$1.000.000,00 (hum milhão) do Ministério dos Esportes, onde estaremos realizando reformas.

6.Hoje já existe uma geração de atletas sendo formada pelo Centro?

Sim. Já estamos sofrendo com o assédio, alguns já foram embora e outros sendo sondados por clubes. Esta é a lei natural do esporte.

7.Especificamente, sobre basquete, como vem sendo desenvolvido o trabalho no COTP? Quem são os professores?

Casa de ferreiro,espeto de pau! A modalidade de basquete até o mes de abril estava completamente estagnada. Fizemos a troca do chefe da modalidade, hoje estamos com 240 meninos e meninas fazendo basquete aqui no Centro Olímpico. Temos como chefe o Borracha (trabalhou muito tempo com o Vendra), a Vânia Paulette, Paulo Vichi e o Jose Paulo Canavesi.

8.Hoje, qual é o caminho para que uma criança possa praticar esportes no Centro Olímpico? Há uma triagem?
Sim. Fazemos peneiras semestralmente e elas devem ter aptidão para a modalidade. Se houver o interesse ligar no tel: (11) 5574.0766 ramal 252, para ter informações.

9.Quais são seus principais objetivos para o Centro Olímpico?

Utilizar a estrutura dos órgãos públicos para trabalhar com jovens no esporte, sabemos que destes 1300 jovens, apenas alguns se tornarão campeões do esporte, mas acredito que através do esporte os demais podem ser campeões na vida.

10.Tem sido difícil comandá-lo? O que ainda falta para melhorá-lo?

No início foi bastante complicado, hoje ele praticamente pode caminhar com as próprias pernas. Temos muito o que fazer ainda, restam 2 anos e meio para o fim do mandato deste governo e infelizmente a gente não sabe o que virá depois.

11.Você sempre mostrou a intenção de lidar com administração esportiva, tanto que se preparou para isso. Você se sente mais preparada para novos vôos depois dessa experiência?

 
Tem sido uma experiencia magnífica, administrar um órgão publico acaba dando uma bagagem tremenda para qualquer um desde que se interesse e queira aprender. Bem diferente de uma empresa privada. Sair das quadras e administrar leva tempo, encontro muitas situações parecidas e outras tantas distintas. Esta falta de profissionalismo na administração do esporte foi algo que sempre me incomodou, agora eu quero fazer para o basquete muito mais do que ele me proporcionou. Claro que quero alçar altos vôos, isto aqui está sendo uma verdadeira escola.

12.Você dizia que sempre esteve interessada em política e até tem parentes de renome nesse setor, mas você afirmava temer “não ter estômago para isso”. Depois desses dois anos em uma administração pública: como anda seu estômago? E é possível fazer um trabalho digno no nosso país?

Este cargo que tenho não deixa de ser politico, mas eu quero usar a politica para fazer esporte e não me candidatar ou apoiar quem quer que seja. Gosto de acompanhar a politica, mas o meu nome, que demorei tantos anos para construir, tenho medo de jogá-lo no lixo. Sim, desde que você tenha dignidade.

13.Fiquei sabendo que seu nome foi ventilado como uma das possibilidades para a chapa de oposição na eleição da Federação Paulista de Basquetebol. É verdade? Você já pode falar sobre isso? Conte-nos!

Sou a favor das coisas de maneira transparente, se as pessoas que estão interessadas em mudanças toparem que seja desta forma, darei o meu nome e a minha experiencia para contribuir para o melhor basquete do Brasil.

14.Gostaria ainda, para fechar o assunto, de saber quais suas expectativas em relação às eleições e da possibilidade de mudanças no país.

Como boa brasileira sempre acredito em dias melhores. O problema da política são os conchavos, as promessas e a parte que deveria ser beneficiada que é o povo, fica de lado. As pessoas não se unem, cada um pensa em si próprio. Que seja escolhido o melhor! Apesar dele (presidente) nao ter poder de ação, pois sempre vai depender de um monte de gente que tem interesses individualistas.

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