Graziane Coelho (Abril/2008)

 ”Nem sempre o que faço em quadra está no papel.” 

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Vice-campeã mundial pela seleção sub-21, em 2003, Graziane admite a surpresa ao tornar-se titular da seleção adulta no Pré-Olímpico das Américas, em 2007. Direto da Hungria, onde defende o Pécs, a pivô relembrou os momentos difíceis no início da carreira, refletiu sobre as mudanças em seu estilo de jogo após quase cinco anos jogando na Europa e falou sobre as expectativas para os compromissos da seleção nesse ano.
1. Grazi, como foi a seu começo no basquete? Como você se interessou pelo esporte? Em que equipes você atuou nas categorias menores? 

Comecei a jogar basquete meio que por acaso. Morava em São Paulo (SP) e gostava de todos os esportes: basquete, vôlei, futebol, handebol, mas só jogava na escola. Aos 11 anos, um técnico da associação, onde um vizinho jogava, me viu brincando com algumas meninas do meu prédio na rua e perguntou se não gostaríamos de jogar basquete. Fui a um treino e não saí mais. Um ano depois, o Jorge, técnico da associação, nos levou para um teste em Guarulhos. Fui aprovada e fiquei radiante. Lá joguei nas categorias mini e mirim. Aos 14 anos, Guarulhos estava sem time infantil. Fiquei parada por três meses, fiquei mais gordinha e desanimada, principalmente porque não pude acertar com o Clube Atlético São Paulo, porque não tinha dinheiro para ir assinar a ficha na Federação Paulista. Mas recebi uma ligação da Mila, me convidando para jogar na Microcamp/Campinas. Aos 14 anos, fui para Campinas, assinei o contrato e joguei um ano na categoria mirim lá. Fiquei muito feliz, era um sonho jogar lá. Depois fui para Bauru (infantil) e Jundiaí (infanto e juvenil).

2. No Brasil, você jogou pouco na categoria adulta. Lembro-me de sua passagem por Uberaba e rapidamente em Americana. Queria que você falasse dessas participações.

No meu último ano como juvenil, disputamos a categoria adulta do Campeonato Paulista, por Jundiaí (SP). Ao final do campeonato, a base do time foi para Uberaba (MG), jogar o Nacional (2002/3). Acho que fiz um bom campeonato naquele ano. Fiquei entre as reboteiras da competição, algo que eu não esperava. Foi ótimo. Depois fui para São Caetano (2003) e joguei o Paulista com o técnico Borracha, a quem eu não conhecia até então. Foi uma oportunidade incrível. Me senti bem à vontade, porque algumas meninas eram do time de Uberaba e outras eu conhecia da seleção sub-21. Acho que foi quando mostrei minha capacidade. O time era jovem e chegamos às semifinais, contra Ourinhos. Perdemos por 3 a 1, mas ganhamos esse jogo dentro de Ourinhos. Ganhei o prêmio de revelação do campeonato. Depois do Paulista, fui para a Itália. No final da temporada (2003/4), tive propostas para voltar ao Brasil, mas quis ir para Americana (SP), por conhecer o Paulinho Bassul e as meninas do time. Perdemos a final do Paulista para Ourinhos. Mas foi boa essa sensação de voltar depois de uma temporada fora. No início, achei tudo diferente, estranho… Mas me readaptei rápido.

3. O ponto alto da sua carreira e a partir do qual você ganhou projeção internacional foi a conquista da prata no Mundial Sub-21 (2003). Qual é a principal lembrança que você tem desse campeonato?

Não sei dizer se o Mundial foi o ponto alto da minha carreira. Considero que evolui muito ao jogar em São Caetano, no primeiro semestre de 2003. E depois dessa temporada com o Borracha já havia recebido a proposta de ir para a Itália. Aceitei antes mesmo de viajar para o Mundial.

O Mundial foi ótimo. Não tenho palavras para dizer o quanto. Muita gente não acreditava no nosso grupo, porque dois anos antes, ficamos em sétimo no Mundial Juvenil da República Tcheca. Vencemos as americanas na primeira fase, mas perdemos na final.

Pessoalmente, foi também muito bom. Joguei bastante, o que não aconteceu no Mundial Juvenil. Eu estava em melhor forma física, técnica e até mentalmente. Foi uma vitória e tanto da nossa geração. Nunca esquecerei.

4. Logo após o Mundial, você passou a jogar na Itália, onde ficou por três temporadas no Faenza (2003/4 a 2006/7). Foi uma adaptação difícil? A presença da Adrianinha facilitou as coisas para você?

Foi uma decisão difícil. Já morava fora de casa desde os 14 anos. Mas morar em outro país é um desafio maior, e foi assim que encarei o processo. Antes de viajar, conversei muito com a Alessandra, que me ajudou bastante. Não conhecia a Adrianinha até então, mas a presença dela no time pesou muito na minha decisão de sair do Brasil. A adaptação foi difícil, sim. Quando cheguei, não falava nem inglês, nem italiano. Minhas malas foram extraviadas. Fiquei parada, esperando até alguém chegar até mim. Quando cheguei ao clube, a Adrianinha estava com a seleção; só chegou um mês depois. Ela me ajudou muito, porque demorei a aprender o italiano. Ela foi uma amiga e tanto. Hoje, digo que tenho três “tias”: a Alessandra, a quem eu devo muito a minha ida para a Itália; a Adrianinha, por me ajudar nesses quase três anos que jogamos juntas em Faenza, e a Cíntia Tuiú, a quem até hoje peço conselhos. Só tenho que agradecê-las. E as guardarei pra sempre em meu coração.

5. Você acha que o fato de ter saído cedo do Brasil mudou o seu jeito de jogar?

Meu jogo mudou muito. Talvez se tivesse ficado no Brasil, ele também teria mudado com o tempo. Acredito que evolui. Sempre joguei com uma pivô 5 pura e estava habituada a defender pivôs 5 puras também.

Aqui na Europa, a maioria das pivôs 5 estão mais para 4. Tive que aprender a marcar pivôs que jogam de frente para a cesta, que arremessam dos 3 pontos, mais velozes. Acho que estou fazendo isso bem: defendendo pivôs com as mesmas características que as minhas ou bem diferentes de mim.

Em termos de pontuação, meus técnicos me conhecem. Nunca fui cestinha. Sou o tipo de jogadora que para analisar, é preciso ver o jogo. Não basta pegar a estatística. O que faço em quadra nem sempre está no papel.

6. Das temporadas em Faenza, qual o momento mais especial em sua carreira?

Cada ano em Faenza teve um sabor especial pra mim. O mais especial foi mesmo o primeiro, em que chegamos à final do Campeonato Italiano, algo que ninguém imaginava que fosse possível. Nosso time tinha só 7 jogadoras. Perdemos a final para o Schio, que tinha uma equipe muito forte, incluindo a Cíntia Tuiú. Também me marcou a conquista da Copa da Itália, no meu último ano na Itália.

7. Você já vinha sendo convocada há alguns anos para a seleção, mas com a aposentadoria de algumas jogadoras e a chegada do técnico Paulo Bassul, seu papel no grupo mudou. Você se assustou quando se viu titular da equipe que foi ao Pré-Olímpico? Como você se sente para encarar essa responsabilidade?

Agora que algumas jogadoras se aposentaram, aumentaram os espaços no time. E um desses se abriu pra mim. Não é de hoje que trabalho com o Bassul. Ele me conhece muito vem e sabe da minha capacidade.

No Pré-Olímpico, fiquei realmente muito surpresa e ser titular. Não esperava. Realmente é uma grande responsabilidade, mas não fiquei me cobrando. Se estava ali, era porque o técnico confiava em mim.

8. Esse ano, o Brasil encara o Pré-Olímpico Mundial. Qual a sua opinião sobre as chances da seleção, principalmente contra adversárias que você enfrenta aí na Europa: espanholas e bielorrussas?


O Pré-Olímpico Mundial não será nada fácil. Ainda mais por enfrentarmos as espanholas, dentro de casa. Será um jogo duro. Assisti à final do Europeu na televisão. Realmente elas jogam muito bem. Temos que ter cuidado com o time todo. As bielorrussas vem de uma escola de pivôs altas e técnicas. Mas é melhor pensar em um jogo de cada vez. Acredito que o grupo escolhido, representará bem o Brasil; e mesmo em renovação, acho que conseguiremos uma das cinco vagas.

Bate-bola, para encerrar:

Uma cidade: São Paulo, onde nasci; e agora Marília também, terra do meu namorado [Risos].
Um filme: qualquer um com o Denzel Washington
Uma quadra: todas as quadras em que joguei foram marcantes
Uma comida: arroz, feijão e o bife com cebola, feitos pela minha mãe
Uma marcadora implacável: a Vicky Bullet
A bola que eu chutei e caiu: minha primeira bola de três pontos, em um jogo oficial
A bola que eu chutei e não caiu: uma na final do Italiano, em 2007
Um título: o vice-mundial, na Croácia
Um sonho: ir a uma Olimpíada

Uma resposta para Graziane Coelho (Abril/2008)

  1. JORGE S.NASCIMENTO disse:

    cAROS AMIGOS,GOSTARIA DE SABER PORQUE OS TECNICOS DO BRASIL NAO TEM ENTERESE EM TREINAR AS ATLETAS QUE ESTAO COMESSANDO COMO PIVO, POIS TERIAMOS DUAS DE DUAS DE 2 METROS DE ALTURA PRA DAR SUSTENTAÇAO A SELEÇAO BRASILEIRA/ MAS PARECE QUE FALTA COMPETENCIA AOS TECNICOS, OU MA VONTADE,POIS CATANDUVA TEM E OURINHO TAMBEM, SO QUE NAO TEM TREINAMENTO ESPECIAL PARA ESTAS ATLETAS JOGAREM BASQUETE DE VERDADE.SE VOÇS DESCUBRIREM O PORQUE DESTE ATRAÇO ME AVISE POR FAVOR, OBRIGADOOOO/

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