Fabianna Manfredi (Novembro/2004)

Fabianna
Manfredi

Aos 22 anos, Fabianna Manfredi é a armadora titular do time de São Caetano, atual líder do Campeonato Nacional. Ao lado de Karen Gustavo e Ana Flávia “Passarinho”, suas companheiras na conquista da prata no Mundial Sub-21, Fabianna é uma das grandes esperanças do Brasil para a posição. Das três, Fabi é a que mais se aproxima do perfil mais “tradicional” do armador. Privilegia a condução do jogo e as assistências a ponto de se cobrar uma intimidade maior com a cesta.

Recém-recuperada de uma contusão, Fabianna estreou bem no torneio. Seu time desbancou o favorito Ourinhos e a armadora registrou 12 pontos e 9 assistências.

Em entrevista exclusiva ao blog, a jogadora fala da sua trajetória no esporte e do momento que vive.

1. Fabi, quando é que você começou a sua carreira: onde, com quem e por qual influência?

Comecei por influência dos meus pais, em uma escolinha no meu condominio no Rio de Janeiro.

Era muito nova. Nem me lembro quantos anos eu tinha.

Meu primeiro técnico foi o Paulo César.

2. Desde o início, você atuava como armadora?

Comecei como lateral, mas logo passei a armar.

3. No início da carreira, quem era seu “espelho” como armadora?

Sempre admirei muito o jogo da Paula. Ainda mais depois te ter tido a oportunidade de treinar com ela no BCN.

4. Quais você acredita que devam ser as principais virtudes de uma armadora?

Acho que a voz de comando, visão de jogo e um bom arremesso são fundamentais.

5. Você acabou se radicando no BCN-Osasco. Como você foi parar lá?

Em 1997, fui jogar o Campeonato Brasileiro com a seleção carioca. Logo após, fui convocada pela Heleninha para a seleção brasileira. Ficamos treinando em Osasco. No final desse ano, a Macau me ligou convidando a jogar no BCN. Preferi ficar mais um ano no Rio, mas em 99 fui para Osasco.

6. Queria que você falasse um pouco da sua passagem por Osasco, da convivência com a Macau e dos títulos que a marcaram nas categorias de base.

O BCN/Osasco foi o meu primeiro clube em São Paulo. Tive a oportunidade de trabalhar com a Macau e aprender muito com ela, que além de ser uma excelente técnica e uma pessoa nota 10. Fui campeã paulista infanto, juvenil e também da Série A2, que disputamos somente com jogadoras juvenis.

7. Na categoria adulta, seu batismo foi em Campos. Queria que você falasse dessa rápida experiência.

Eu estava voltando a jogar, depois de 6 meses fazendo fisioterapia e praticamente sem ter jogado no meu último ano de juvenil. Fiquei muito feliz quando soube do interesse de Campos por mim. Era o que eu precisava: um time que estivesse brigando pelas primeiras posições e no qual eu pudesse jogar bastante.

8. Em pouco tempo de carreira, além das conquistas, vieram também contusões. Gostaria que você falasse desses momentos na sua trajetória.

Foi um momento muito difícil da minha carreira. Tinha sido convocada para treinar com a seleção brasileira principal, logo depois do mundial juvenil. Acabei torcendo o joelho. Tive que fazer uma cirurgia para reconstituir o ligamento e fiquei 6 meses sem poder jogar.

No ano passado, me machuquei um um jogo amistoso. Joguei a liga de 2003 e o primeiro semestre desse ano com muitas dores. Como elas estavam aumentando, precisei fazer uma artroscopia. Mas agora ja estou totalmente recuperada.

9. Queria voltar ao tempo e abordar o Mundial Sub-21 com você. Depois do sétimo lugar no Mundial Juvenil, e ainda mais com o desfalque da Iziane, você acreditava que o time pudesse chegar tão longe, bater as americanas e conquistar a medalha de prata?

Acredito que o Mundial Juvenil acabou servindo de preparação para o vice-campeonato.

Com certeza, a Iziane fez falta, pois é uma excelente jogadora e ajudaria muito a nossa seleção. Acho que o desfalque dela fez cada uma dar um pouco mais de si para a equipe.

O grupo estava muito focado e muito fechado. Apesar de muitas pessoas não acreditarem em nós pela colocacao no mundial juvenil, nós conhecíamos o nosso potencial e estavamos conscientes de onde poderíamos chegar.

10. Queria que você contasse um pouco da vitória sobre as americanas. Como foi o jogo, quem eram os principais destaques daquele time americano?

Foi muito bom ganhar dos EUA. Tínhamos perdido para a França no dia anterior e precisávamos da vitória para melhorar a nossa colocação na tabela.

O time entrou muito concentrado. Com um jogo coletivo, conseguimos a vitória. A melhor jogadora americana era a Alana Beard, que hoje está na WNBA.

11. Quais você acha que foram os principais méritos desse time medalha de prata?

A união, o espírito vencedor, o trabalho de equipe e a sincronia das jogadoras com toda a comissão técnica.

12. Qual a participação do técnico Paulo Bassul na sua formação e nessa conquista?

O Paulinho é um ótimo técnico. Gostei muito de ter jogado com ele, apesar de só ter trabalhado com ele em seleções. Em relação à medalha de prata, o Paulinho, assim como todos da comissão tiveram papel importantíssimo. Ele acreditou no grupo e conseguiu tirar o melhor de cada jogadora.

13. Há cerca de dois anos, você foi convidada a treinar com a seleção adulta. É esse seu sonho? Sua meta?

Foi em 2001. Estava entre as 15 para disputar a Copa América, no Maranhão. Com certeza é o meu objetivo.

A cada dia busco melhorar para poder realizar esse sonho de voltar a vestir a camisa do Brasil, desda vez com a seleção adulta.

14. Quais virtudes você aponta no seu jogo? E qual aspecto você se esforça mais para melhorar?

A visão de jogo, os passes. Preciso ir mais pra cesta. Pontuar mais.

15. Há dois anos, você reforça a equipe de São Caetano. Como tem sido a convivência com o grupo e com o técnico Borracha?

Estou feliz em São Caetano. O grupo é bom e mescla jogadoras experientes com atletas mais jovens. O Borracha desenvolve um ótimo trabalho conosco. Assim, através da participação de todos, temos colhido resultados positivos.

16. Qual momento você guarda com mais carinho nessa sua recente trajetória em São Caetano?

Quando nós ganhamos de Santo André, na semi-final do Nacional do ano passado. Estavamos perdendo o jogo decisivo por 10 pontos, faltando uns 3 minutos e conseguimos virar e conseguir a classificação.

17. O time vem mais desfalcado esse ano no Nacional. Quais são as expectativas do time?

Perdemos a Flávia que fez um Campeonato Paulista muito bom.

Apesar disso, estamos confiantes.

Estamos treinando forte e com a expectativa de fazer um ótimo Nacional, já que os times pra esse campeonato estão bastantes equilibrados.

18. Como atleta recém-saída das categorias de base, como você analisa os resultados internacionais ruins da nova geração a juvenil desclassificada do Mundial e a cadete perdendo da Argentina?

Sinceramente, acredito que o problema não é falta de talentos. Temos ótimas jogadoras nas categorias de base. O problema é que uma atleta dessas faz no máximo vinte jogos por ano. É muito pouco. A maioria delas não tem a referência de treinar com um time adulto. Precisaríamos de criar mecanismos que garantissem a essa nova geração mais oportunidades de jogo e de intercâmbio.

19. Um bate-bola pra encerrar:

Um prato: Churrasco
Uma cidade: Rio de Janeiro
Uma música: depende do momento
Um livro: “O Código da Vinci” e todos do Harry Potter
Um filme: “Um sonho de liberdade” e “Um ato de coragem”
Um time: BCN Osasco
Um técnico: Macau
Um ídolo: Janeth e Paula
Um título: paulista infanto/99
Uma colega: são duas, Karina Pulici e Lilian Lopes
Uma estrangeira: Diana Taurasi
Uma quadra: a que eu comecei a jogar.
A bola que eu chutei e caiu: a que está por vir
A bola que eu chutei e não caiu: todas que eu deixei de chutar
O jogo que eu não esqueço: apesar de nao ter jogado foi a final do nacional de 98. Estava no fluminense. Ali eu vi que queria ser jogadora.
O jogo que eu tento esquecer e não consigo: a derrota pra Rússia no mundial juvenil.
Uma marcadora: Claudinha
Um sonho: seleção brasileira

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